Patins

O Balanço Patrimonial divulgado pelo Vasco da Gama, seus gráficos, tabelas, firulas e os comparativos com outros clubes que surgiram logo a seguir, são elementos que oferecem um panorama didático a respeito da última década do clube. Traz certezas incontestáveis – independentes da divergência de números.

A primeira delas foi o catastrófico período vivenciado entre julho de 2008 e dezembro de 2014. Uma aventura que custa e ainda nos custará caro. Não bastassem rebaixamento esportivo, implosão do Clube dos 13, negociação com a TV como se clube mediano fosse, os “gestores” de então triplicaram a dívida do Vasco às custas de calotes, negócios pífios e muita conversa fiada.

Repare-se que os principais condutores daquele período sumiram do mapa, deixando para trás quatro pareceres negativos de Conselho Fiscal e um bobo, que ficou pendurado no pincel destruindo a sua reputação de ídolo incontestável. Diga-se de passagem que, naquele tempo, Eurico teve a faca e o queijo na mão para reprovar contas. Mas, pensando na Instituição, pediu pelas suas aprovações, com ressalvas.

Em 2015 e 2016, pelos resultados expostos, após a volta de Eurico, inverteu-se a curva ascendente da loucura, mesmo que em 2017 o esforço pela redução do endividamento tenha apresentado alguma timidez, causada por sabotagens mil junto à Justiça e até dentro dos estádios (10 jogos sem mando ou com portões fechados). Mas, ainda assim, uma classificação para a Libertadores, que garantiu premiação especial para a gestão seguinte, apesar do abandono completo do futebol a partir de 2018.

As contas apresentadas pela administração atual também admitem algo que há muito se fala por estas bandas: o superávit alcançado resulta do surgimento de atletas valorosos na base. Mantê-la organizada como foi recebida, ainda que algumas metodologias possam ser mudadas sem que a alma sofra, é imperativo.

Neste sentido, é muito preocupante que a marquetagem plantonista tenha usado o Colégio Vasco da Gama, um dos fundamentos do sucesso de sua base, para a feitura de negocetes ridículos. Entregar o colégio sob a alegação de que receberia investimentos de um determinado grupo, expor a marca deste grupo à frente da camisa do clube e, no ano de início do tal “investimento” ver navios, apresenta a ideia de desleixo com a base, com o caráter social do clube, com seus atletas em formação e mesmo com a comunidade do entorno do Complexo. Desde já, ficam avisados os senhores dirigentes que qualquer arranhão no Colégio Vasco da Gama trará, no mínimo, consequências políticas drásticas.

Noves fora, balanço patrimonial, tabelas, gráficos, comparativos, períodos trágicos e tentativas de recuperação, nos permitem uma reflexão que retoma uma convicção: por conta do trágico período da República das Bananeiras, o Vasco se endividou como jamais poderia. Este é um ponto pacífico.

Desde então, há uma tentativa de inversão da curva, que patina em diversos aspectos que indicam uma parada no tempo e no espaço. Mas, principalmente, refletem que, por melhor que possa ser a gestão, com lápis na orelha ou com o último software pica das galáxias, tudo será lento, gradual ou até improdutivo, se os homens do Vasco não se comprometerem a honrar uma agenda mínima de convívio respeitoso.

Nem precisa ser entre eles, homens. Mas que seja com o Almirante, que está farto de chorumela e vaidade. Até lá, o esporte principal do clube é patinação artística, com rodopios, piruetas e, principalmente, tombos.

Abraço

João Carlos Nóbrega

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