O Truque de Mestre

Um bom ilusionista não possui poderes mágicos, suas mágicas são meros truques de desvio de foco de atenção. Os rivais cariocas se tornaram especialistas durante suas histórias em entreter a plateia de jornalistas e torcedores ávidos pelo sentimento único de se sentirem enganados.
Historicamente o Club de Regatas Vasco da Gama jamais foi afeito às mágicas e aos truques, enquanto a zona sul pintava seus atletas com pó de arroz para enganar a multidão sobre a origem de seus atletas, o Vasco levantava sua voz diretamente se expondo sem se esconder seus ideais.

Um grupo de ilusionistas encanta o público, diverte crianças mas, no fundo, vivem de mentiras nas sombras com medo de serem descobertos. Não importa nesse momento questionar se gostarmos de mágica ou não, importante apenas atestar um fato: ilusionistas fazem truques.
A ação de impugnação de partida apresentada pelo clube na última segunda-feira é nada além disso: um truque de um grupo de ilusionistas.
É evidente que o Vasco foi prejudicado no último sábado, não precisa ser um especialista em mares ou medicina esportiva para que reconheçamos que não houve conduta faltosa no lance, muito menos reclamação e sentimento de injustiça pela outra parte. Houve um silêncio sepulcral na Arena do Grêmio, silêncio originado por uma jogada ensaiada, por um belo gol, pela essência do futebol.

Ocorre que o árbitro de vídeo possuí regramentos, escolhidos pelos poderosos da International Board, estabelecendo-se um protocolo rígido para a utilização do sistema. Rígido? Talvez não seja a palavra, afinal não há previsão de punição para usos indevidos.
O protocolo é bastante claro: “Por princípio, um jogo não será invalidado por causa de mau funcionamento da tecnologia do VAR, decisões erradas envolvendo o VAR, a decisão de não se rever incidentes e, por fim, a revisão de uma situação/decisão que não poderia ser revista.

É claro, é cristalino, a decisão da FIFA com a International Board foi no sentido de manter a segurança jurídica das decisões em campo de jogo, decidiu-se por não trazer instabilidade para as competições, para justamente o que tem sido feito no Brasil não ocorresse, toda semana um resultado de partida resta questionado.

O departamento de jurídicos ilusionistas vascaínos, que celebra acordos trabalhistas e não os honra brincando com as emoções de credores de boa-fé, decidiu por tirar o foco de atenção da necessidade do empréstimo de R$20 (vinte) milhões a serem assinados com aval da Globo.

Os ilusionistas em seu truque de cartas trocam de mão a necessidade financeira e o péssimo planejamento de campo por uma ação sem fundamento e sem futuro. Os ilusionistas apontam para a mão direita que segura a impugnação de partida dizendo que estão lutando pelos direitos do Vasco, enquanto seguem em uma administração calamitosa.

Estão reduzindo, portanto, a instituição a uma trupe de mágicos pouco habilidosos que rumam a passos largos para mais um fracasso estrondoso na competição nacional.

Defender os interesses de uma instituição centenária significa principalmente preservar sua imagem, preservar sua imagem nesse caso é reconhecer que fomos prejudicados, mas que o resultado de campo será mantido.

A impugnação só traz danos ao clube, que mais uma vez se desgasta frente ao STJD, às demais equipes da competição, à CBF e, claro, em frente à mídia que já não necessita de muitos motivos para atacar a imagem do clube.

O médico ilusionista opta pelo caminho de seus colegas da zona sul de viver de mentiras para enganar sua própria torcida, talvez na esperança que o torcedor se esqueça que sua função é gerir o clube, não elaborar truques de mágica.

Não se enganem ao pensar que quem vos escreve não deseja uma posição firme contra o que ocorreu sábado, é evidente que desejo. Entretanto, a posição deve ser firme contra a arbitragem, uma notícia de infração, por exemplo, pela inexistência de relato escrito na peça sumular sobre a ocorrência e as motivações do VAR.

Todos árbitros envolvidos naquela partida devem ser punidos, seja de forma administrativa pela Confederação Brasileira de Futebol, seja de forma judicial desportiva através da aplicação do artigo 266 do CBJD, quiçá afastados de jogos do Vasco nos próximos anos.

Entretanto, a impugnação de partida não nos entregará nenhuma punição aos árbitros, continuarão apitando e, pior, poderão ter sua decisão equivocada validada pelo tribunal, afinal deparado às injustiças não é incomum que argumentos absurdos sejam aceitos, como, por exemplo, de que era um lance de interpretação, ou seja, uma falta.

O médico ilusionista deveria cancelar seu show, pedir desculpas aos torcedores pela exposição ao ridículo da instituição e, claro, buscar tirar aquele coelho da cartola, leia-se o empréstimo para pagar as contas, esta sim sua obrigação primordial.

Pedro Henrique Moreira

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