A República das Bananeiras Vive

Há um apontar de dedos irresistível nos bastidores do Vasco. Ele permeia a seguinte lógica: deu merda, o desfecho tem que ocorrer sobre o túmulo de Eurico Miranda. Se não fizer sentido algum, cola-se nos [preocupantes] sujeitos que o apoiaram: o Grupo CASACA!.

Às vezes, ou quase sempre, o apontador de dedo nem sabe quem compõe ou compôs o grupo. O importante é embrulhar tudo numa coisa só e aderir nos herdeiros políticos.

Ao menos de minha parte, isso já era esperado e incomoda zero. Por outro lado, sempre soube que, enquanto me restar paciência com a burrice e a covardia alheias, não fica sem resposta.

Neste momento, refiro-me especificamente a algo que surgiu há dias sobre penhoras. É que a atual diretoria, com boa vontade e ajuda nossas, disse que levantaria um empréstimo de 20 milhões para resolver o resto do ano. Não o fez pela inabilidade usual.

Pediu ajuda de novo, como sempre. Foi disponibilizada a ajuda. E, no final das contas, os seus magos vão à imprensa para dizer que o problema é a penhora tal, a penhora acolá, a penhora Y, lógico, todas provenientes do túmulo, coladas imediatamente à nossa testa pelos idiotas de plantão.

Então, vamos começar a brincar de apontar dedos.

Críticas burras são até comuns vindas da Amarelândia. Leia-se Amarelândia não somente como a terra do nunca habitada por amarelos, mas, também, suas cidades satélites, o seu entorno. A Idiotolândia, a Burrolândia, a Covardolândia e a Caradepaulândia ficam por ali.

Essa vasta população de desmemoriados achou muito bacana ter um fiscal de contrato bancado pelo Vasco em um contrato celebrado com uma estatal por interveniência de um criminoso confesso. O fiscal, não bastasse os ditos 15 mil que recebia por mês para fiscalizar o nada absoluto, pendurou o clube no final da saga em 12 milhões de reais, talvez por inadimplência do contratante. Depois disso, o fiscal sumiu do clube. Nunca mais se viu por lá.

O TCU investiga o contrato e, verdade seja dita, falta uma previsão no Balanço Patrimonial do Vasco de possível perda de 73 milhões, que deveriam, a depender da decisão do TCU, ser devolvidos à estatal.

Ocorre que o fiscal integrou politicamente o grupo do atual Vice-Presidente Jurídico, que por consequência natural agora compõe o grupo do atual Presidente do clube, ambos eleitos conselheiros pela chapa de maioria. Por dedução simples, assim como o Grupo CASACA! tem responsabilidade direta nos atos do ex-Presidente Eurico, talvez seja o caso de se pensar que o grupo do atual VP Jurídico e as citadas ramificações também tiveram na trajetória profissional do fiscal um dedo de responsabilidade. Ou não?

Dentre diversas outras piadas, há outra da era amarela, essa elaborada na capital mesmo, a Amarelândia: o Romário tinha dívida proveniente da época do “presidente mais vitorioso do clube”, antes de 2001. Foi pago ao longo de uns bons anos, de modo que 20 milhões tinham se tornado 13 milhões. Com participação direta de muitos que hoje integram a chapa de maioria eleita na última eleição, resolveu-se, de forma “iluminada”, suspender o pagamento por não se reconhecer mais a dívida. O ex-atleta foi à Justiça garantir os seus direitos. Venceu. O clube passou a ser devedor de cerca de 55 milhões.

Em um brilhante acordo celebrado não por um, mas por dois escritórios de advocacia, a dívida com Romário voltou a ser de 20 milhões. Ou seja, os 7 milhões que já haviam sido pagos foram para a conta do Almirante.  Parece que os dois escritórios brigam por modestos “êxitos” até hoje. Deduz-se que todos aqueles que apoiaram esta mixórdia, da Castelo Branco à Harvard, tenham responsabilidade nisso. Ou não?

Até o final da 1a década do século XXI, é conhecido que o Vasco da Gama recebia os mesmos valores de cotas de TV do que aqueles que mais recebiam então. Novamente, o parlamento da Amarelândia deu um tiro de canhão na divisão. Ajudou a extinguir o Clube dos 13, no qual o Vasco ocupava a cadeira da Vice-Presidência e que negociava em bloco com Globo e CBF. Foi”negociar” individualmente. Deu no que deu.

Peguem as notícias da época. Participaram desta brilhante negociação os senhores Mandarino e Nelson Rocha. O senhor Vice-Presidente Jurídico compõe, ou compôs, o grupo político do senhor Nelson Rocha. O Presidente do clube, por osmose, idem. O senhor Mandarino compunha, então, o grupo amarelo, vencedor da última eleição e eleitor do atual Presidente, uma vez que ele é conselheiro pela atual maioria. Todos eles são responsáveis pelo abismo colossal que existe hoje entre os que recebem mais e resolveram seus problemas financeiros (em tese) e o Vasco. Ou não?

E os que apoiaram e apoiam isso até hoje? Os mesmos que nos apontam dedos? São responsáveis ou não? Os mesmos que querem eleger ano que vem uma chapa cuja campanha é coordenada por um advogado que trabalha contra o Vasco e pediu a remoção do clube do primeiro ato trabalhista? É isso mesmo?

Preenchidas as respostas de forma correta, sugiro àqueles que insistem em suas teses que comprem escovas de aço a fim de pentear macacos.  

No mais, espera-se que no próximo sábado, bem como na semana que antecede o clássico com o Flamengo, elenco e comissão técnica se tomem do espírito de decisão, final. Foi assim que o maior dirigente da História do Vasco [este sim] venceu o Flamengo mais vezes do que perdeu. A esperança reside em Luxemburgo e no brio dos jogadores. Porque se depender da bananagem dos bastidores, estamos ensopados para sermos engolidos com batatas coradas. A procura incansável por largas pilastras faz desta diretoria um retrato perfeito da República das Bananeiras. Que não nos peçam mais nada.

João Carlos Nóbrega

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