A Fuga das Galinhas


A chegada ao Vasco é sempre a mesma: muito economês na bagagem, quem sabe até um lastro profissional, mas entendimento nenhum sobre o ramo. Desconsideram que um clube deste tamanho, com seus problemas e nuances, é amplamente diferente dos modelos acadêmicos. Sendo assim, não pode ser tocado meramente com fórmulas existentes em livros universitários.

A primeira reação é dizer que tudo foi feito erradamente no passado. A segunda é posar na imprensa como o gênio que está costurando as feridas legadas de antecessores escolhidos a dedo. A última é concluir que entende pouco, mas isso não pode ser exposto. Então, tudo aquilo alardeado como uma revolução financeira sensacional, cai por terra em algo que se resume na incapacidade, sinalizando a mentira vivida por meses.

Se você, torcedor do Vasco, acreditou que o Clube estava a caminho de uma revolução promovida por financistas de última geração, vai se decepcionar. Eles simplesmente nunca souberam onde ir.

Ou melhor, pessoalmente até sabiam: foram para o Vasco pavimentar seus caminhos para eleição futura. Se juntaram àquele que chamavam de traidor para, depois, fazerem o mesmo. 

A bem da verdade, não tiveram muito auxílio. Por exemplo, o departamento jurídico do Vasco é uma catástrofe nas argumentações, acordos que faz e prazos que perde.

Isso também ocorre pela ausência total de liderança. Um rápido olhar para os setores do clube permite concluir que dividiram a sua administração em guetos. Às vezes, como no jurídico, há subguetos nos guetos. Uma enorme colcha de retalhos emendada por indicados de grupelhos políticos compostos por três ou quatro aventureiros, além de oportunistas históricos. E então, se nem mesmo os setores possuem qualquer harmonia com objetivos comuns, o resultado é este desastre anunciado. A maquiagem se desfaz dramaticamente. 

A saída do senhor João Amorim e a possível debandada do senhor Adriano Mendes, os bastiões da revolução espoleta, expõem várias verdades. A primeira é que saem agora para evitar maiores arranhões em seus objetivos políticos e currículos enconfetados. A segunda verdade deriva da primeira: o ato é irresponsável na medida em que salvam suas peles no mesmo capítulo em que informam ao respeitável público de que o show era de ilusionismo. 

Ocorre que no último truque deixaram o pombo voar da cartola antes da hora, ao informar o pagamento de 32 milhões em acordos com banda de música e fogos de artifício, sem que funcionários e atletas fossem contemplados. Dramaticamente, em início de temporada, o Clube não tem sequer como inscrever atletas porque o pla-ne-ja-men-to de Suas Santidades inexistiu, o dinheiro acabou e mais um empréstimo ainda está a caminho. Ora, quem possui mágicos deste naipe não precisa de adversários dentro de campo. 

Ficamos, agora, na expectativa das cenas do próximo capítulo. Pode ser que a turma da assessoria de imprensa promova um número de malabarismo para divertir a arquibancada, enquanto se corre para capturar o pombo que voa sobre cabeças atônitas na plateia. É temporário: assim que recuperarem o pombo, a farsa ilusionista recomeça. Quem sabe com CEOs, executivos galácticos e trapezistas acrobáticos. 

FUZARCA!

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