A Água, o Esgoto e o Vasco

Foi aprovado ontem pelo Senado o novo marco regulatório de saneamento, que segue para a sanção da Presidência da República. Salvo se o Mussolinato de Toga se pronunciar contra, deve virar lei.

Durante 30 anos o Brasil foi governado por governos ditos populares, como o do tio do povo, Sérgio Cabral Filho, hoje condenado a 300 anos de jaula. Nenhum deles ousou se lembrar que mais de 100 milhões de brasileiros assistem a TV Globo toda noite em companhia alegre de milhões de coliformes fecais.

Em 2018, o doutor Michel Temer, que nunca deu ponto sem nó, tentou passar uma Medida Provisória com indicações para a regulamentação. A medida caducou, patinando junto aos históricos 3% de popularidade do último remanescente dos “governos populares”.

Em meados de 2019, a ideia ressurgiu em forma de Projeto de Lei. Após quase um ano em discussão no Congresso, teve ontem o seu penúltimo capítulo (se o Mussolinato de Toga permitir, frise-se novamente).

A turma representante dos “governos populares”, governos estes que tiveram por 30 anos a caneta nas mãos, protestou. Queriam mais uns 30 anos para deliberar. Acharam insuficiente, em meio a uma pandemia histórica, o tempo de discussão. Esqueceram-se que, por mais que a galera do queijo com vinhos apele por uma jornada de 120, 150, 180 dias em casa, é impossível para quem não tem água pra tomar banho combater pandemia em iguais condições, exceto o vinho francês.

Assim, amarrou lenço na cabeça, cerrou o punho, baixou as calças a frente da TV, lacrou em redes sociais, mas não adiantou. Ocorre que quando se chupa o pirulito e não se faz o que deve com as suas diretrizes, vem outro e aprova a mesma matéria, mas com as diretrizes do novo detentor da caneta. Ossos do ofício. Chupa, que é de uva. E era de cocô.

Cago baldes com esgoto tratado para a política nacional, partidária, convencional e, por essência, corrupta. Mas muito me interessa o que ela pode fazer com o Vasco.

O senhor que convive com mais de um polenguinho no cérebro já deve ter percebido onde quero chegar. Os ideólogos do punho cerrado ou da camisa da CBF que se danem.

Tramita na Câmara de Deputados a Medida Provisória 984/2020, que abre uma vastidão de portas para que o futebol brasileiro mude as suas oportunidades de negócios. A MP é genérica e, exatamente por isso, de sexta-feira para cá, já recebeu mais de 70 emendas. Dentre elas, duas se destacam: o incentivo às negociações coletivas por parte dos clubes para exposições em mídia, um “revival” do Clube dos 13. E, principalmente, o estabelecimento de um limite entre quem recebe menos e quem recebe mais, algo que foi distorcido em 2011 com negociações individuais tocadas pela Globo, gerando o abismo hoje existente entre o Flamengo e os outros, exceção feita ao Corínthians que ganhou um estádio de presente de um “governo popular”.

Porém, o Vasco, parafraseando o Kid Abelha, cantarola que as entradas do meu rosto e os meus cabelos brancos aparecem a cada 3 anos no final do mês de agosto.

Enquanto a banda passa, e ela vai passar, vem aí mais uma eleição judicializada.

Enquanto a banda passa, e ela vai passar, o senhor presidente diz que não pode divulgar à Junta Deliberativa os dados de sócios que, quando se associaram, receberam um Estatuto do clube no qual se prevê esta demonstração a quem de direito, de 3 em 3 anos, por conta de eleições.

Enquanto a banda passa, e ela vai passar, o Vasco discute algo que deveria ser líquido e certo: uma homenagem ao Barbosa, injustiçado, negro e perseguido pela imprensa, a essência do Vasco. Homenagem que só deveria ter oposição de dito vascaíno que certa vez, na rádio Tupi, proclamou que “goleiros negros não são confiáveis”; ou do falecido Armando Nogueira, ícone do jornalismo esportivo punho cerrado, lacrador de mídia social e protestador de bunda de fora, que, em biografia, confirmou ter torcido contra a seleção de 50, por odiar o Vasco, sua popularidade e, talvez, o seu goleiro preto. Qualquer dia, em homenagem ao jornalismo esportivo, Armando ganha uma estátua em frente ao recém recriado Ministério das Comunicações.

Enquanto a banda passa, e vai passar, o Vasco discute uma excrescência chamada “Nova Resposta Histórica”, um desrespeito tácito à verdadeira Resposta Histórica, cujo primeiro assinante de uma lista virtual do tipo “salve vidas” é um sujeito que, durante o tempo em que foi Vice-Presidente Jurídico do Vasco, teve ao menos 3 recibos de 55 mil reais (em 2008!) em favor do seu escritório, proclamando uma nova era profissional no clube. Uma semana depois, o Vasco foi eliminado da Taça Guanabara por escalar, com garantia do profissional, um jogador irregular.

Enquanto, a banda passa, e ele vai passar, o Almirante tem a sua goela arregaçada na boca de uma manilha de merda. Quando tudo der errado e o tempo tiver passado, erguemos o punho, amarramos lenços na cabeça, lacramos na internet (enquanto o Mussolinato de Toga permitir) e arriamos a calça em sinal de protesto. No fim das contas, nos lamentamos.

Não bastou o estupro que a República das Bananeiras I permitiu que ocorresse com o clube em 2011, ao negociar individualmente em termos ridículos o rabo do Almirante. Vamos repetir isso com a bananagem que está derrotando o clube, apesar das resistências de Eurico e nossas, desde então.

A MP 984/2020 pode ser derrotada na esquina, mas, com os termos que for e provavelmente com a inércia dos bunda-moles incompetentes do Vasco, um dia será aprovada. Depois disso, fechem as mãos na cabeça e gritem bem alto: “Culpa D´Ôrico!”

João Carlos Nóbrega

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