Amazônia e Anistia

Na luta do “bem” contra o “mal” estabelecida na política convencional, estamos em tempo de discussão sobre a destruição amazônica. Discussão cíclica, a depender do cansaço da turma em falar de Covid.

Algumas emissoras da grande, gigante mídia promovem debates sobre diversos assuntos em lives. Houve uma chamada para um desses debates a respeito do tema. Afinal, desde o ano passado, a floresta amazônica está sendo derrubada e queimada. Inclusive, alguns países “coirmãos” (vícios do futebol), sem quaisquer interesses de ordem econômica, prometem não comprar mais nada do Brasil, que não preserva suas florestas, seus índios, suas origens.

Sintonizei o canal, esperei a apresentação da jornalista “mediadora” que ofereceu o viés do bem logo na abertura e contemplei a apresentação dos debatedores: um do bem, outro do mal. E, então, desisti.

Desisti porque o representante do bem era um professor que vendou os olhos na construção da usina de Belo Monte, na Amazônia. Necessidades energéticas à parte, pertinência ou não da barragem, não vêm ao caso. O que não se pode é confiar num debate sobre o tema que apresenta como atuante ao lado do bem quem ignorou os efeitos da usina sobre comunidades indígenas, caos social nos municípios do entorno – que estão entre os mais violentos do país, comissões distribuídas aos cuspes, empreiteiras de sempre, obra superfaturada e destruição, enfim, da floresta. Creiam, com presença firme de grupos “coirmãos” franceses.

Mas o que isso tem a ver com a anistia do Vasco?

É bem simples. Havia um tempo em que colava a cara dura. O sujeito pregava uma coisa em um momento e se contradizia depois. Ou se escondia por trás de pilastras na hora de votar e para o respeitável público contava amenidades politicamente engajadas e corretas. Algo similar ao ativismo político de conveniência. Normalmente, esse cara poderia se sair bem, mesmo sendo um contraditório contumaz, se tivesse a sustentação dela, a dona de todas as verdades, a grande, gigantesca mídia.

Várias narrativas foram assim construídas no Vasco nos últimos 20 anos. Em todas elas a narrativa do lado do bem, sustentada pela grande, gigantesca mídia, venceu. O lado do mal, do qual acho que participo, foi marginalizado. A ponto de o Dr. Juca Kfouri (logo quem), certa vez, escrever que nenhum ser humano deveria passar perto de nós, as pessoas más do Vasco.

No caso da anistia, mais uma vez, tentaram. O lado do bem, criador e causador dos desvios do processo, instigador do Conselho Deliberativo para uma tomada de posição e – mais do que tudo – pertencente à chapa vencedora das eleições de 2017, fomentou, articulou e votou em peso pela revisão do beneficio que, concluiu-se, fora viciado por erros e suspeitas.

No entanto, assim que a decisão da qual eles participaram ganhou as arquibancadas, procuraram, como habitualmente, as pilastras da grande mídia, colocando o rostinho para fora apenas para berrar engodos. Apontaram os dedinhos para o lado do mal. Não funcionou.

O que o lado do bem, seja na discussão amazônica ou na política vascaína, precisa saber é que há blindagens que acabaram. Depois que a internet virou fonte alternativa de informação, os tostões cedidos àqueles que antes blindavam nos grandes, gigantes agora valem menos. Bem menos. E não adianta MP, PL, PQP de censura que o parlamento liderado pelo Botafogo da Odebrecht queira criar. Acabou. Houve tempo em que a contra-informação precisava de centenas de fotocópias enviadas pelo correio. Mal surtia efeito. Hoje, um pdf com assinaturas colado numa página de oitava ordem negativa de grandeza devasta narrativas falsas.

Os vitimizados, os injustiçados, os financiados e até mesmo os financiadores se indignaram contra nós, os maus. Espernearam em praça pública, cerraram os punhos e mostraram as bundas em protesto. Nenhum pio contra a chapa vencedora, responsável por tudo.

Apesar destes desaforos, apesar de estar ao lado do mal vascaíno, serei construtivo com os do lado do bem. Então, lá vai uma sugestão: para que evitem a urna 8, o que seria um vexame para os que levaram a última eleição contratando um exército de robôs fakes e outros tantos que soltaram bombas em São Januário, que tal um acordo? É simples: aqueles que foram anistiados sem pagamento de adesão, quitam o débito com valores da época e podem votar até para síndico. Promete dar certo.

Reconheço, porém, que há um problema: se a farra foi bancada por meia dúzia de mecenas, vai ficar pesado. Eles se viram.

João Carlos Nóbrega

Versão em Áudio

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