O Revisionismo da História Chega ao Vasco

Washington Redskins vai mudar de nome. A razão para troca é que o termo é considerado ofensivo contra índios americanos. Redskins significa ‘pele-vermelhas’, em tradução livre, expressão considerada pejorativa para tratar dos nativos…. UOL – Folha de São Paulo.

Chicago retira estátuas de Cristóvão Colombo após onda de protestos – Folha de São Paulo

A equipe de futebol americano Washington Redskins mudará o seu nome. A razão para a alteração é a pressão exercida pela turma do revisionismo, adeptos do cancelamento, patrocinadores e, por fim, os últimos que se dobram, os donos da franquia, é isso mesmo, da marca.

A prefeitura de Chicago-US, resolveu tombar estátuas de Cristóvão Colombo. O motivo para a ação é a pressão exercida em recentes protestos de grupos revisionistas, que desconhecem, relevam ou desprezam contextos sociais presentes no momento em que a História foi feita. Para essa gente, justiça com as próprias mãos se faz chutando a história de antepassados que erraram e acertaram em suas respectivas passagens pela linha temporal.

O revisionismo histórico chegou ao Vasco. Ele está presente na nomenclatura de um movimento que se intitula nova resposta histórica. Afora a pauta chula e esquizofrênica, que pretende colocar a voto o que está previsto em uma reforma estatutária proposta por quem eles elegeram em 2017, encontra-se a afronta ao movimento mais importante da História do Vasco. Ao propor o “novo”, apropria-se da única, real e fundamental História, trazendo-a para os patamares rasteiros e oportunóides da intenção atual.

A este mesmo movimento, unem-se agora aqueles que em reunião gravada do Conselho Deliberativo votaram, no âmbito da reforma do estatuto social do Vasco da Gama, contra o nome do clube. Sim, meia dúzia de conselheiros da chapa de situação se opôs que o Vasco se chame Vasco. Talvez por compactuem com o revisionismo histórico que chegará àqueles que atuaram em favor da Coroa Portuguesa, como o almirante navegador que nomina o clube.

Ao compor a minoria eleita do Conselho Deliberativo em 2017, portanto oposição, fomos chamados a participar da Reforma Estatutária. Ao contrário do que se vê em bancadas oposicionistas, não agimos em nada para bloquear projetos. Pelo contrário. Propusemos avanços e, em muitas agendas, estávamos de acordo com a chapa eleita pela maioria. Responsabilização, transparência, eficiência foram pautas às quais propusemos ou concordamos. Ousadamente, chegamos a levar à comissão de reforma o voto de categorias do sócio-torcedor.

No últimos 12 anos administrativos do Vasco, estivemos fora em 9 deles. Ao longo deste tempo, muito se falou justamente na pauta da ética, nas boas práticas, na controladoria e, enfim, na honestidade. A revisão estatutária é formulada sem entraves por parte da oposição e o que se vê ao seu final? A chapa de situação querendo melar aquilo que foi acordado ao longo de dois anos. Triste, mas retrato de quem tem medo da própria retórica.

Atende a este cancelamento, a este revisionismo oportunista, a pantomima chamada nova resposta histórica. Que recebe adesão de quem teve contas reprovadas por não apresentar documentos, ou daqueles que votaram contra o nome Vasco da Gama, ou da turma que teme Polícia Federal e Receita Federal, ou dos pendurados no escândalo da Casa da Moeda, e até de um que emitiu notas fiscais de 55 mil reais em favor de seu escritório de advocacia no “novo Vasco”. Justamente quem deu as cartas no Vasco em 9 dos últimos 12 anos, além dos vigaristas de sempre, as moscas da vitrine que não se importam com a mudança do pão doce.

Da minha parte, não há problema nenhum. Passam as eleições diretas em destaque, nega-se passagem das eleições diretas na reforma do estatuto que controla vagabundagem, a turma do cagaço no rastreio de CPF fica livre, mas eu garanto que é só por enquanto. Vai chegar o dia da seringa. E ninguém escapa do dia da seringa.

Enquanto isso, recomendo que a turma desligue a localização por GPS dos aparelhinhos que utilizarão na próxima reunião virtual do Conselho Deliberativo. Vai que a PF ou a Receita rastreiam e acordar às 5 da matina no dia seguinte vai ser duro. No Vasco, se passar responsabilização no CPF prevista na reforma estatutária, não sobrarão 70% dos caras que se apresentam hoje para ocupar alguma coisa no clube.

João Carlos Nóbrega

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *