Maturidade pelo Vasco

O grupo político que integro no Vasco foi oposição em nove dos últimos doze anos. No intervalo de três anos, embora tivéssemos pouco como agir por opção do presidente Eurico, nos satisfizemos com uma grandeza: Eurico não passaria ao ostracismo com sepultamento determinado por robôs de internet. Por isso, o maior dirigente da História do Vasco voltou ao clube antes de morrer.

Em 2017, perdemos uma eleição para a justiça. Em um país em que o presidente do STF se diz editor da nação tudo pode vir de lá. Mas, fomos à luta. Primeiro, sem lançar no segundo turno do Conselho Deliberativo um candidato de oposição. A situação resolveu lançar dois candidatos, votamos em um. Ponto parágrafo.

Na trajetória como minoria, demos aulas. Ensinamos. Rara demonstração de lealdade e palavra cumprida. No geral, oposições acreditam que o seu trabalho é bloquear pautas. Interpor. Sabotar. Fizemos o inverso. Lembro que na primeira conversa que tive com o Presidente do CD, fiz a ele uma observação que ele deve conhecer de trás para frente: “não espere resultado de time de futebol para começar a apresentar pautas. Invariavelmente, se o time for mal elas perdem força”.

Quando fomos chamados a participar proporcionalmente como grupo de minoria, em vez de conluiar atrás de pilastras, fomos à luta pelo Vasco. Apresentamos propostas. Perdemos. Ganhamos. Nos conformamos. Tentamos mostrar aos outros integrantes da comissão estatutária os motivos de nossas sugestões. Vou dar dois exemplos.

O primeiro, retratado ao final deste texto, sugeriu a votação de sócios torcedores.

1 – Lembro, em primeiro lugar, que o programa de sócios do malvado favorito concedeu aos sócios torcedores que seguissem por três anos um título de sócio proprietário.

2 – A fim de incentivar que torcedores se associassem nas categorias do programa atual que possuem mais benefícios, apresentamos uma sugestão de debate em que as duas categorias principais do programa em algum momento tivessem direito a voto. Por que só duas? Primeiro, para que os sócios estatutários não fossem atropelados. Depois, para que o clube fosse melhor remunerado por aqueles que tinham interesse, além das vantagens atuais, de participar da política do Vasco.

3 – A discussão na comissão foi razoavelmente corrida e não prosperou. Mas deixo uma pergunta no ar. O raciocínio é o seguinte: hoje, no Vasco, comparecem às urnas, no máximo, 4500 pessoas. Com a abertura de voto para categorias do sócio torcedor, compareceriam 10 mil? 20 mil? A pergunta: o sujeito (ou o grupo) que compra sócios para cabresto, o chamado mensalão, prefere uma eleição com colégio eleitoral controlado ou descontrolado? Em colégios maiores o controle é menor? Quanto maior o colégio, menor o cabresto? Pois é.

Outra proposta que levamos, com detalhes que não vêm ao caso, foi de remuneração para presidente e vice-presidentes. Ao passar discretamente pela administração do clube, entendemos o desgaste que vem de lambuja. Além disso, a remuneração traz dois benefícios: a possibilidade de gente competente se aproximar para dedicação exclusiva, mas que está impedida porque precisa sobreviver; o constrangimento que causaria nos diversos caras que levam por fora. Isso acabaria? Provavelmente não. Mas só o constrangimento já seria um deleite.

Leonardo Rodrigues foi o porta-voz deste grupo na comissão de reforma. Quis o destino que, curiosamente, um membro da oposição se tornasse o redator de tudo. Não, não deve ter sido a demonstração de competência dele e seriedade e amor ao Vasco nossa.

A discussão deste momento a respeito da reforma está circunscrita a banalidades sobre o que aparece na cédula da Assembleia Geral que vai votar a favor ou não da reforma. A estupidez chega ao seguinte ponto: os meninos da pipa no ventilador, roxos, amarelos e a combinação esdrúxula que isso dá, querem porque querem apoiar a Nova Burrice Histórica. Não é por nada não, é só para contradizer a comissão de reforma da qual participaram. Coisa de debutante.

Enquanto isso, o tio que foi pessoalmente fechar os portões do clube nas eleições de 1985 porque viu que ia perder, age como agiu historicamente e é isento a seu modo. Piada antiga.

Façam eles como quiserem, guiem-se como quiserem, jamais terão em campo uma oposição reformista como a atual. Se eles querem jogar isso fora, o problema não é nosso. Evidentemente a reforma estatutária é um avanço histórico para o Vasco. Ninguém teve desempenho mais honesto e comprometido no processo do que a oposição do clube. Mas as galinhagens de uma chapa de situação eleita só para derrubar o malvado favorito não nos pertencem. Resolvam aê vossas pendências de quitanda.

João Carlos Nóbrega

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