Lições e Propostas

A Reunião do Conselho Deliberativo, realizada na noite de ontem, mostrou, mais uma vez, que os problemas internos do Vasco jamais poderiam ser creditados a apenas um vascaíno, como foi feito por décadas. Nossos problemas, em especial os eleitorais, são fruto de uma disputa insana e, mais recentemente, coberta por imaturidade institucional. Talvez esta seja a primeira lição a ser aprendida: só se resolve ressentimento com algum nível de desprendimento. As enormes vaidades falam mais alto há muito e atropelam qualquer sinalização de entendimento, mínima, que seja.

Parte dos conselheiros eleitos entre os 30 da minoria, bem como alguns conselheiros natos, atuam no Grupo Fuzarca!. Os ressentidos de sempre podem nos identificar como bem entenderem, apenas serão incapazes de negar o papel limpo que realizamos ao longo desta legislatura. Normalmente, espera-se de um grupo de oposição a obstrução de pautas. Fizemos o oposto: ajudamos a construí-las. Sempre em consenso possível com a chapa vencedora.

Neste sentido, cabe lembrar que integramos, junto a representantes de todos os grupos políticos existentes até então, a comissão de elaboração de um novo Estatuto Social para o Vasco. Apresentamos propostas. Fomos vencidos em algumas. Vencemos em outras. Sendo que percebemos “vitórias” e “derrotas” assim mesmo, entre aspas, pois elas foram derivadas do desenho de entendimentos possíveis.

Também desse modo nos comportamos em plenário, nas diversas reuniões que tiveram como pano de fundo a Reforma. Ocorre que, a esta altura, já em fragmentos pueris, a chapa de situação apresentava insatisfações quanto às propostas. Creia-se, proferindo votos oriundos de alguns dos seus remendos, inclusive, contra o nome do clube. Apenas para ser do contra. Apenas por não ser protagonista. Apenas com sede de tumulto. Ou, quem sabe, apenas porque se desenhava ali um Estatuto que deixava o discurso falacioso para trás e propunha na prática criar barreiras para quem não tem condições éticas para dirigir qualquer condomínio.

Após três anos de maturidade política, de construção oposta à obstrução, de consenso avesso à intransigência, não há como aceitar que mesquinharias ou desespero nascidos no seio da chapa vencedora impeçam que esse Estatuto, construído a várias mãos, seja enfurnado em uma gaveta qualquer. O pior: para ser substituído por um acinte sacado do bolso de alguns iluminados que até ontem requeriam para si todos os direitos sobre as palavras democracia, transparência e honestidade, invariavelmente deixando conosco os antônimos. Hipocrisia tem limite.

Assim, mais uma vez em busca de consenso, de maturidade política e de respeito ao Vasco, estamos dispostos ao diálogo, desde que o tratamento dispensado àqueles que ofereceram seus préstimos no último triênio seja honesto.

Nestes termos, acredita-se que o único tratamento realmente honesto seria a realização de uma Assembleia Geral que permita ao sócio dizer sim ou não à proposta de Estatuto Social, sem mais delongas ou firulas retóricas. Tal Assembleia Geral, em defesa de sua lisura, deve ser realizada presencialmente. É fato que a política do Vasco ainda está muito longe de possuir a devida responsabilidade para pleitos virtuais. É fato que a pandemia de Coronavírus está sendo usada como subterfúgio, na medida em que passar 10 minutos no clube para depositar um voto parece menos arriscado do que a ida ao mercado semanalmente, como todos fazem. Lógico, com a devida liberação de autoridades sanitárias e os merecidos cuidados pautados pela razoabilidade e bom senso, artigos de luxo nas prateleiras da política vascaína.

Recorde-se, também, que qualquer acordo deve passar por este grupo, ainda que seja uma raridade por aqui aqueles que frequentam clubes de golfe ou a Hípica. Sabe-se que incomoda a alguns, mas o Vasco deve ser decidido no Vasco, não em ambientes que se acreditam percorridos por sangue azul.

Selado nestes termos o entendimento, não há motivo para pensar em punições, guerras e brigas. Não há motivo para se pensar em eleições judicializadas. Não de nossa parte, que jamais movemos medidas judiciais contra o clube ou seus interesses.

Espera-se, portanto, por um suspiro. Suspirem com responsabilidade, chutem a hipocrisia, abracem a transparência, a honestidade e o respeito com os quais se banharam em mídias sociais e convencionais durante anos. Os bons moços precisam provar que são, não apenas parecer. Porque máscaras caem. Mas a gente não precisa contar para ninguém.

Grupo FUZARCA!

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