Prateleiras Vazias

Acima de discutir qualquer disputa meramente eleitoral, o quadro social do Vasco da Gama mandou um recado aos seus políticos ontem: está farto do judicialismo de prateleira, aquele no qual se transforma a Justiça em um supermercado. Sobretudo a partir de 2008, não por acaso auge do ladrão Sérgio Cabral Filho, o clube transferiu a sua sede política para o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Não é preciso dissertar sobre os resultados posteriores às manobras.

O comparecimento massivo, o tom de festa ao longo do dia, bela demonstração democrática salvo alguns incidentes como a covardia contra o Grande Benemérito Luis Manoel Fernandes protagonizada por um elemento da chapa do Brant, foi transformado à noite pelas divindades da salvação da alma vascaína, aqueles que passaram 9 dos últimos 12 anos prometendo muito e entregando escárnio. Justamente os maiores clientes das prateleiras judiciais.

Falar em desrespeito com o público em geral e com os próprios eleitores é chover no molhado, mas deve-se ressaltar o que essa gente fez: quem conhece das artimanhas do futebol, já ouviu falar da prática de um time inteiro simular contusão quando percebe que será goleado. Caindo em campo, a partida termina. Não por acaso, a manobra é conhecida como um ato covarde.

Reflita-se, então, o que estes tipos seriam capazes de fazer nas duríssimas adversidades presentes na administração vascaína atual. Na primeira derrota, no primeiro revés de negociação, se deitariam em campo, esperando a mágica das prateleiras que, então, não viria mais. Diga-se de passagem que a corrida das galinhas gerou revolta externa e estes senhores devem ser responsabilizados pelo que provocaram fora do ginásio.

Parêntese obrigatório, a chapa Aqui é Vasco não se afastou do pleito mesmo conhecendo a derrota. Aliás, antes das firulas e simulações rasteiras dos personagens redentores do espírito vascaíno, tive a oportunidade de felicitar o Sérgio Frias pela coragem. Conheço um pouco o Sérgio e sei que mais ainda do que não perder a dignidade, ele não tirou o time porque se preocupa com o clube e não admite a Instituição envergonhada.

Por outro lado, os senhores Brant, Salgado e Campello mostraram que só não estão no alto do pódio da covardia porque lá brilha o FCJ, que apesar da sigla não é nenhum tribunal, é apenas um desastre conhecido por Mussa.

Nos próximos dias, muito se falará sobre os vieses do processo eleitoral, seu percurso pelas varas, câmaras, plenos e não plenos. Não é novidade que a Justiça do país, que se intitula guardiã das liberdades, tem se arvorado justamente em precursora dos atos obscuros. Certamente serão proferidos votos, sentenças, liminares, recursos, agravos neste mercadão de Madureira do judiciário, imerso em tão podres quanto históricos mecanismos presentes em cortes locais e superiores. Neste shopping, principalmente quando houver holofotes, os entendidos em prateleiras judiciais dirão que a eleição do Vasco está sub-judice.

Pois afirmo que estará pendente apenas para eles, os obscuros. Porque para o quadro social, o pleito está decidido. E a palavra que simboliza a vitória de Leven Siano é LIBERDADE. Enfim, o vascaíno entendeu que o clube precisa reencontrar a sua liberdade, se afastar dos falsos profetas que o aprisionaram no shopping da Justiça e retomar o seu caminho como Instituição grandiosa.

Somamos.

João Carlos Nóbrega

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