O Início da Virada Eterna

Há quem nomine, com orgulho, de Virada do Século. É pouco. Muito pouco. Porque a restringe a um período de tempo no qual não pode ser encaixada. Foi uma virada eterna. Que tem a dimensão do Vasco real e sua História.

Há 20 anos, um jogo de futebol se confundiu com a trajetória de um clube então já centenário. Coroando um período de década e meia em que a aversão à mesmice de um Vasco emperrado desde os anos 60 se fez do tamanho justo.

Curioso como aquela virada esportiva simboliza para o clube o último ato do capote nos vícios paridos pelo atraso do cardinalato. Em meados dos anos 80 até os anos 2000 foi Eurico quem virou o jogo. Varreu a vagabundagem que emperra e fez o clube conquistar. 

A vingança dessa gente e seus sucessores de sangue e espírito começou a ser formulada logo depois. Então, em 2006, as figuras abjetas do Vasco começam a retornar do esgoto ao cenário. Tomaram o poder judicialmente em 2008. Rebaixaram o clube duas vezes. Prepararam o terreno para todos os demais rebaixamentos, ao assinar contratos que fizeram do Vasco o sexto em receitas de TV. Criaram fantoches como Dinamite e Júlio Brant. Venceram eleições em 2017 na justiça novamente. Em 2020, depois de perderem no campo de jogo, mais uma vez o tribunal concede a essa gente do atraso a renovação de uma administração caduca que vai dominar o clube em 12 dos últimos 15 anos.

Então, passou da hora da nova virada institucional que permita ao clube viradas eternas no campo esportivo. A Virada da Mecosul começou 20 anos antes quando uma liderança vascaína não admitiu o controle de um punhado de donos do clube. O Vasco precisa de uma virada institucional que expurgue as ideias bisonhas de cardeais, descendentes, simpatizantes e flertadores de fraudes, alinhamento que exala a putrefação de Sérgio Cabral Filho, operador da decadência pós 2006.

A reinvenção do Vasco, posta em prática a partir dos anos 80, precisa ocorrer novamente, antes que o “Vasco uns 80% de Flamengo” nos arremesse no vazio dos anos 60, o que já está ocorrendo.

A Virada Eterna, bem mais do que uma feliz lembrança, deve constantemente nos inquietar e servir como símbolo. Ela só ocorreu depois de muita luta contra as forças nefastas internas do clube, que voltaram ao jogo depois de 2006 para assombrá-lo e acabar de destruí-lo. Inquietemo-nos. Antes que seja tarde demais para tentar voltar ao tamanho original.

João Carlos Nóbrega

2 thoughts on “O Início da Virada Eterna

  • 20 de December de 2020 at 12:44
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    Perfeito.

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  • 20 de December de 2020 at 14:21
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    Prezado João Carlos Nóbrega, isso significa que o Grupo Fuzarca não reconhece a eleição do dia 14/11 e vai contestar a decisão na justiça?

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