Quarto Rebaixamento: Efeitos dos Estelionatos Eleitorais

Para que as mentiras e falsos positivos do jornalismo mainstream não prevaleçam, como as narrativas eivadas de desonestidade intelectual propagadas por figuras como Raphael Zarko, sempre que necessário é preciso retomar a História. Invariavelmente, aqueles que atuam em mecanismos, esquemas e engrenagens de conveniência tentam disfarçá-la.

Entre 2000 e o primeiro semestre de 2008, o Vasco conquistou o título brasileiro em janeiro de 2001 o estadual de 2003. Campanhas naturais para quem vinha de um vasto período de títulos e um historicamente raro momento de bonança em suas finanças, paralelo ao patrocínio do BofA. Parêntese: patrocínio levado ao Vasco pelo então VP de Futebol Eurico Miranda.

Períodos de abstinência de títulos (o que não foi o caso) ocorrem com todos os clubes. No período, o Vasco, além das conquistas, disputou títulos em muitas competições, estaduais e nacionais. Conviveu com uma dificuldade financeira perene como nos seus 100 primeiros anos, desta vez proveniente de boicotes externos. Em apenas uma oportunidade, fez um jogo importante para não lutar contra rebaixamento na penúltima rodada do brasileiro de 2004. Em todos os outros, ou se manteve em posição intermediária, ou brigou por algo importante, como vaga na Libertadores. Zero rebaixamento. Zero crise interna. Dívidas controladas e, apesar da extrema dificuldade, um ou outro jogador de referência a cada temporada. Não se tinha notícia de corte de água, de luz, de limpeza, de higiene. Recebia o mesmo da TV que outros quatro clubes com melhores cotas.

No meio de 2008, sob a influência do cabralismo e seus asseclas, o Vasco foi tomado por ação de arranjos judiciais em meio a uma gestão que só se encerraria no ano seguinte. Primeiro ato do golpismo legalizado. O Vasco era nono no brasileiro e no dia seguinte da rasteira venceu um jogo que o colocou em sétimo lugar em 10 rodadas. Atrasos de salário, Tita Soccer, desmanche do time, desconhecimento padrão Neca, burrice e incompetência levaram o clube ao primeiro rebaixamento.

Entre 2008 e 2014 a gestão foi deles, com direito a festa pela série B e confetes atirados pelas parcerias midiáticas celebradas. A dívida foi triplicada, o clube passou a ser o sexto colocado em cotas de TV, muito distante dos principais rivais, mas antes de sair eles conseguiram o segundo rebaixamento esportivo. No apagar das luzes, uma trave os salvou em um memorável confronto contra o Icasa (ou algo semelhante no Maracanã) para que fosse possível voltar à primeira divisão.

Quando retornou ao Vasco em dezembro de 2014, eleito no voto, Eurico encontrou um clube falido. Devia 14 milhões imediatos em dívidas fiscais que revogariam o patrocínio da Caixa em 15 dias; um amontoado de confissões de dívidas oriundas de toda sorte de suspeições ocorridas no apagar das luzes da gestão Dinamite, prorrogada por 3 meses após ação judicial promovida pela turma parceira do Julio Brant; 5 meses de salários atrasados; água cortada; lixo não recolhido; dívidas cobradas na FIFA, como os 12 milhões de dólares a serem pagos pelo Eder Luis de forma integral, que levariam o Vasco à série C se não quitados; uma festa na farta distribuição de lojas oficiais; 150 mil se devia só no posto de gasolina da esquina; até as piscinas foram tungadas. A base estava em um mato em Itaguaí, onde morreu um garoto sub 14 sem atendimento. Os alojamentos destroçados e servia-se salsicha no almoço.

Depois de ser campeão estadual, o Vasco foi rebaixado em 2015, porém havia uma diferença singular: lutou até o fim e houve alguém para assumir a responsabilidade bem antes da sexta seguinte. Mesmo doente, Eurico não mirou no passado catastrófico da República das Bananeiras e nem em parceiros incompetentes que carregam até hoje o rei na barriga, mas que foram incapazes de matar no peito o problema durante os vários dias em que ele ficou ausente do combate. O bicampeonato estadual invicto em 2016 mostrava um clube que tentava se reerguer, assim como a vaga na Libertadores conquistada em 2017.

Em 2017, outra manobra judicial proveniente dos herdeiros do cabralismo no judiciário resolveu novamente a eleição e o destino do clube. Quem duvida, procure saber dos resultados, quatro anos depois, dos tais inquéritos da urna 7: repousam sobre alguma pilha de processos esquecidos.

Contudo, no país do mussolinato de toga, cumpre-se o que determina a justiça. E assim se fez em 2017. Na ocasião, a coalizão eleita pelo TJ tomou posse e lançou duas candidaturas dentre seus conselheiros à presidência do Vasco. A chapa perdedora não lançou ninguém. Presumiu-se que a aliança realizada era sólida e qualquer um dos dois que vencesse seria unha e carne com o outro. E foi mais ou menos assim. Entre tapas e beijos, mais beijos do que tapas, a gestão Campello, a República das Bananeiras II, foi composta em suas vice-presidências e assessorias por vários dos que integravam a tal chapa vencedora Brant/Campello, não necessariamente nesta ordem.

A gestão Campello terminou em janeiro de 2021 e, mesmo após inéditas contas reprovadas, tentou colar fracassos no passado e sucesso nos seus financistas. Mais do mesmo. Até que, há cerca de 15 dias, “descobriram” novas dívidas oriundas de um fosso de 2013. Em bom português, foram expostos ao respeitável público sinais de pedaladas que prometem incrementar a dívida do clube em 100 milhões no próximo balanço (a conferir). Ou seja, a gestão técnica cantada em verso e prosa pela imprensa amiga era um balão japonês: se infla aqui e cai ali. Campello e seus financistas, que garantiram austeridade, entregaram o clube devendo mais no terceiro balanço do que no primeiro por eles apresentado. A obviedade é dolorosa para eles: o lápis na orelha reduzia dívidas, enquanto eles, os técnicos dos MBAs, faliram o clube.

No final de 2020 pretendeu-se o continuísmo de 2017. Uma aliança que só quem é ingênuo não percebeu envolveu Campello, Salgado e Brant, isso para nominar chapas. A rigor, foram chapas parceiras nas quais só a cor era diferente. O continuísmo era a agenda. Estava fundada a República das Bananeiras III.

Não contavam com a vitória na urna, porém, de um outsider. O quadro social, ao perceber que estava diante de outra mentira, resolveu votar em peso no que até poderia lhe parecer duvidoso, mas era diferente, novidade.

O recurso adotado pelos continuístas, então, foi melar a eleição válida, simular uma fictícia e correr para o abraço. Sem voto válido, mas sob a nomeação do judiciário, o que os torna biônicos, tomaram posse com dedos médios do tamanho de mindinhos registrados em fotos oferecidas ao quadro social e à torcida. O “fodam-se vocês” carimbado para a eternidade. Fariam tudo de novo, na cara dura, à luz do dia, sem qualquer vergonha, ignorando o desejo do primeiro voto direto da História do clube e sob a bênção de togas manchadas.

Prometeram mundos e fundos ainda antes da posse. Entregaram vento. Prometeram gestão moderna. Entregaram vários remanescentes da República das Bananeiras I e da República das Bananeiras II. Prometeram competência, entregam os financistas das pedaladas e o marketing gerido por um ignorante confesso. Prometeram interlocução externa, entregaram um palhaço de palanque, fanfarrão de lava-jato. Prometeram credibilidade, entregaram outro estelionato eleitoral. Prometeram comprometimento, entregaram fujões.

O Vasco chega ao seu quarto rebaixamento e vai para 12 em 15 anos do mesmo tipo de farsa, do mesmo tipo de conversa fiada, sob a mesma fuga covarde, desviado pelo mesmo tipo de “especialistas”. Quando não são as mesmas figuras, são seus pupilos badalhocas. Poderia se imaginar que há uma estratégia nisso – o sucateamento proposital favorece a venda da instituição na xepa. Mas desconfia-se que a bateção de cabeças medíocres torna tudo bem menos “sagaz” e traiçoeiro. Na verdade, não há plano algum e o que vem pela frente é desespero.

Pensando bem, é natural que algo parido nas sombras derive em poucos segundos para o que temos hoje. O Vasco é refém dessa gente e o preço pelo resgate fica perto do inatingível a cada dia.  O resto da gestão será perseguição àqueles que os atormentam todas as noites, provando há duas décadas quem eles são, o que pretendem e o que conseguiram, enfim: destruir o Vasco.  Acabar com o clube. E, lógico, como o roteiro tem que ser completo, arrumar um jeito de jogar em contas alheias para que a farsa de salvadores da pátria que simulam há décadas se perpetue pela eternidade.

Grupo FUZARCA!

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