O Fim do Vasco

Em 2008, o Club de Regatas Vasco da Gama foi tomado por um assalto. A manobra teve origem e apoio na máquina de corrupção do multibandido confesso Sérgio Cabral Filho.  Com o dileto apoio da imprensa oficial que hoje adula um clube em processo de extinção.

Em 2009, fazendo uso da cadeira de Vice-Presidente do Clube dos 13, a liga de então, o fantoche-presidente Dinamite, sob o comando dos seus asseclas orientados pelos interesses da TV Manda Tudo, fez o possível para implodir a entidade que tratava dos nossos interesses e sobre a qual se construiu ascendência. E conseguiu. O Vasco, que então estava entre os cinco clubes que mais recebiam das transmissões de seus jogos, foi negociar sozinho. Resultado: passou a ser o sexto ou sétimo em cotas de TV e consequentes patrocínios. Muito, muito distante do primeiro. Lembrem-se sempre disso quando um impoluto falando pelo clube oferecer uma entrevista reclamando das poucas receitas.

Todo mundo sabe o que houve com a instituição desde então, apesar da tentativa de recuperação do respeito entre 2015 e 2017. Se fosse um projeto de destruição, pelo menos se conviveria com o surrupio palpável. Porém, o que assusta é que provavelmente não há projeto. Há incompetência crônica em 10 dos últimos 13 anos.

Ontem, 19 clubes assinaram um manifesto demonstrando a intenção de fundar uma liga para administrar o futebol brasileiro. Nos moldes do que foi o Clube dos 13. A assinatura do Vasco não está lá. Pode-se alegar que só assinaram o documento clubes da série A. O problema deveria ser dos clubes da série A, porque sem Vasco, não deveria haver liga nem aqui, nem em Marte.

Uma liga que autoconcede poderes para administrar o futebol está falando de distribuição de cotas; consequente apelo por patrocínios; fórmulas de disputa; calendários; arbitragem; funcionamento do VAR; locais de jogos; etc. Ao aceitar ser mero convidado para a festa, o Vasco se submete aos caprichos dos anfitriões. Come e bebe o que a ele for oferecido e nada mais.

A postura que os dirigentes do clube não vão tomar, mas deveriam, é a seguinte: não há hipótese de organização de nada sem o Vasco à frente. Ou é isso, ou nem precisa convidar. Alguém nos ensinou isso lá atrás, mas quem dirige o clube em 10 dos últimos 13 anos tem vergonha, pudor, pusilanimidade travestida de fineza. Fraqueza escondida na educação de salão.

Na verdade, o que acontece é que as prioridades são outras. O Vasco pode ser tratado como vagão de resíduos do trem, desde que se esteja pensando na camisa colorida do clube, que representaria uma diversidade que sequer pulsa na veia de seus dirigentes, preconceituosos natos, a começar pelo seu presidente. O alvo é a lacração infanto-juvenil. Enquanto isso, o Vasco acaba. Pois há um sinal muito mais claro de decadência do que um time ruim em campo e rebaixamentos sucessivos para a série B: é a resignação, o abraço tranquilo à mediocridade e o discurso de que somos, com sorte, algo como 80% do que são os outros.

João Carlos Nóbrega

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