Muito além de um clássico policromático

Em pouco tempo, a atual administração, que representa o continuísmo daquilo que foi inaugurado em 2008 e mantido até aqui com o lapso de um mandato, mostrou ao que veio. Há um desastre na gestão do futebol que se torna aparente a cada notícia que chega de São Januário.

A fim de disfarçar tal inaptidão, de tudo tem se tentado: da associação de patas e penas ao bom-mocismo de 1,99 encontrado em prateleiras de quitandas, passando por mais uma reunião de Conselho Deliberativo que terá como um dos itens de pauta um tipo de punição, obsessão dos totalitários nomeados à caneta. 

A bola da vez é o adesionismo identitario infanto-juvenil e hipócrita. O abraço à causa LGBT é mera panfletagem e para constata-la basta averiguar postagens recentes do VP de Marketing que dispõem de traços profundamente homofóbicos. 

Sem perder muito tempo com isso, pois não é esse o centro do argumento, informo acreditar em respeito. Respeitar pessoas e suas opções deveria ser natural. Exigir este respeito é obrigação de todos, simpatizantes de causas ou não. O Vasco é um clube que exige respeito. Sempre o fez quando teve o direito dos seus atacado. E por isso, com legitimidade, enfrentou o que precisava enfrentar. Ponto.  

Dito isso, e voltando ao que me traz aqui, qualquer polêmica sobre o Scooby Doo que se associou ou sobre vencer em número de cores o Quadricolor de Santa Catarina (7 do arco-iris contra quatro do Brusque) é desvio de foco propositalmente provocado por inaptos.

O Vasco disputa uma fraquíssima série B e, em 6 partidas, tem o aproveitamento de 39% arredondados. É um vexame parcial. Para reduzi-lo enfrenta em casa, nas próximas quatro rodadas, as potências Brusque, Confiança e Sampaio Corrêa. Discutir se o periquito é papagaio neste contexto soa como subterfúgio. E é.

Enquanto isso, a cada derrota as maria-farinhas cavam suas tocas em busca da Vice-presidência de futebol desocupada. Primeiro foi o Brunch, para, no revés seguinte, surgirem outros notáveis desconhecidos. A disputa deve andar acirrada, a ponto de que, para oferecer verossimilhança às matéria$ plantada$, citam como concorrente até mesmo o Euriquinho, realmente um sujeito muito querido na atual gestão.

Ocorre que não há gelo seco que disfarce eternamente as cenas que tentam encobrir parcialmente no palco. Amanhã, haverá uma reunião daqueles que pretendem conduzir o futebol brasileiro nos próximos anos. O Vasco foi convidado. Repetindo: convidado. Sentará na plateia, provavelmente representado por um preposto flamenguista.

Se isso não tipifica uma gestão incompetente que apenas faz piruetas para sair bem no Instagram do UOL e do GE, coloquem os cintos de segurança porque estamos diante de mais 20 ou 30 anos de decadência. Vamos de clichê: antes de exigir respeito pelos outros, é preciso se respeitar.

João Carlos Nóbrega

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