A conta chegou. De novo.

Após a ridícula atuação do time de futebol do Vasco diante do Remo algumas fichinhas começaram a cair. Contudo, para os pacificadores de butique, o problema do Vasco é o clima político beligerante. Tese simplista derivada da retórica que os seguidores carimbados pelo sistema costumam usar quando algo que apostaram vai mal. Para quem não entendeu, lá vai o popular: deseja-se algo e quando é perceptível que tudo deu errado, se culpa a guerra que o próprio desejo originou.

Vive-se uma era em que as máscaras estão derretendo todo dia. Num país em que a Imposição de Toga dá as cartas, sequestra direitos, suprime liberdades e atropela à caneta, não foi surpreendente que sua vertente estadual tenha agido com as mesmas diretrizes em relação ao processo eleitoral do Vasco. O quadro social vai às urnas, quatro mil sócios comparecem durante um período de pandemia, elegem alguém fora do sistema, e o braço fluminense dos ungidos ignora solenemente o feito. Vai além e oferece, aos rabiscos, a vitória a quem perdeu, sob os aplausos dos militantes de blog, outrora redações, devidamente pactuados com os eleitos biônicos.

Ora, ora. O que os pacíficos de butique esperariam de tal decisão? Flores e pombas brancas? Evidencia-se que tudo aquilo que é tratado com desrespeito à maioria, opacidade, de forma suspeita e sob as influências do sistema viciado, um dia produzirá seus efeitos. A conta chega. E para os que não perceberam isso na hora da manobra, uma má perspectiva se vislumbra: sem desempenho mediano que seja no futebol, tende a piorar. A insatisfação e a revolta são consequência do assalto eleitoral e chegaram com méritos antes do tempo. Uma diretoria ilegítima, pendurada nos ganchos da toga empoeirada, não tem como se sustentar sem resultados que apaguem a imagem justamente esculpida: todo mundo sabe que comanda o Vasco quem perdeu. Todo mundo percebeu o golpe branco sancionado pela pirataria made in establishment.

Ocorre que nem mesmo a tese que responsabiliza a beligerância pelo fracasso fica de pé. Em recente entrevista a um blogueiro flamenguista da ESPN, o Doutor Jorge Salgado afirmou que a situação política do clube nunca foi tão favorável a uma diretoria, pois conselheiros “eleitos” pela maioria e pela minoria não possuem divergências significativas. Em bom português, são gente da mesma laia. Diante desta constatação do cardeal, conclui-se que justificativas do tipo sabotagem política não passam de falácias plantadas por aqueles que não assumem responsabilidade pelo que está aí. A esses, um recado. Escolham o que os senhores foram nos últimos anos: inocentes ou cúmplices. Só existem estas opções.

Em decorrência desta situação, arrisco que há um desejo silencioso na diretoria de fachada no sentido de que não se tenha público no estádio tão cedo. Se estão incomodados com manifestações online, imagina com público em São Januário farejando in loco a falta absoluta de comando e o desastre de gestão.

No mais, deixo como sugestão um dever de casa: vasculhem nas ferramentas de pesquisa oferecidas pelos sítios da Justiça. Pode ser Justiça estadual, federal, mundial ou sideral, aquela sobre a qual o STF tem jurisprudência. Um bom indicador a respeito de beligerância está ali. A turma da planilha e dos gráficos vai se divertir. Depois, enviem cartas para esta redação informando, precisamente, quantos processos movidos contra o Vasco e opositores têm como patronos personagens vinculados às Organizações Tabajara. Verifiquem, também, quantos outros foram propostos pelos demais grupos contra a turma do mindinho, especialmente grupos que hoje compõem o campo político oposto. Ganha um plano pet quem perceber que a proporção é cavalar e indica com clareza os que sempre quiseram guerra, nunca quiseram paz.

João Carlos Nóbrega

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