A Academia Promove um Vexame Histórico

“Ou seja, por mais que ações individuais ou de clubes tenham gerado alguma tensão no cenário esportivo, nenhuma delas pode, a meu ver, ser considerada parte de uma luta sistemática contra o racismo levada a cabo por qualquer que seja o agente/grupo.” (Ricardo Pinto dos Santos, ex-funcionário remunerado no departamento Histórico do Vasco até 2014, texto de 1.9.2021, ludopedio.com.br).

“O Vasco não fazia pretos: para o preto entrar no Vasco tinha de ser já bom jogador. Entre um branco e um preto, os dois jogando a mesma coisa, O Vasco ficava com o branco.” (Mario Filho, flamenguista que odiava o Vasco tomado como fonte pelo acadêmico). 

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Caro acadêmico. Para início de conversa, quem toma Mario Filho como fonte não tem sustentação para a seriedade retórica. Ou será que o Mário Filho, o senhor ou quem quer que seja poderia esperar, a qualquer tempo, que clube com a intenção de formar um time de futebol preferisse brancos por serem brancos, negros por serem negros, gays por serem gays, ou heteros por serem heteros para montar um esquadrão competitivo?

Resumia-se, evidentemente, ao que lhes parecia melhor para tentar vencer. Aliás, deveria ser o lógico até surgirem os quotistas do bem.

Mas você fez o que está na moda: publicou um texto sob as bênçãos da academia precursora de caminho cada vez mais obscuro: quem publica o que o sistema quer, vira pop star. O revisionismo de conta corrente.

Primeiro, sorte sua viver em tempos nos quais quem lacra, lucra; sorte sua viver em tempos em que a academia em decadência ainda tem voz, nos pombais das lives isolacionistas; sorte sua ainda viver na era em que a mentira é a verdade das agências de checagem compostas por jornalistas (ou “especialistas” acadêmicos?) panfletários, sob a ideologia que for, mas invariavelmente aquela chegada a destruir a História. 

Seu trabalho, provavelmente resumido neste arremedo de texto que ganha dimensão popular, é um vexame. Não pela opinião. Ao contrário do que os seus hoje imaginam, opinião é o pouco que resta a uma sociedade no fim influenciada por arquitetagem de reengenheiros da academia visionária e iluminista. Assim, não nos referimos só a isso.

Ele é ridículo por outro motivo: não considera o marco temporal vivido. Há um século, na década de 20 do século passado (!!!), embora a academia moderna, engajada, “empática” e repleta de “não interesses” ao abraçar causas se negue a reconhecer, tomar posições firmes era bem mais do que um texto academicista que ganha o mundo nas redes da empatia e do amor em busca dos holofotes. Era enfrentar a sociedade no fígado. Era combater o que muito mal tinha conhecimento público. Era coragem.

Porém, entende-se que você segue alguns interesses e, por isso, possa se fazer de desentendido. Porque saber, você sabe qual era o combate há 100 anos. Todos sabem. Desconsideram como o VAR desconsidera impedimentos (claros ou não porque assim desejam ser donos da verdade) nos dias atuais. Nós sabemos quem vocês são. Vocês são o VAR do pós primeira guerra! Vocês são os revisionistas do ódio querendo se passar por justos da sabedoria.

Isso pode ser determinado por consciência, clubismo, interesses de grupos políticos aos quais estão vinculados ou até à triste soma disso tudo. A sua tese, o seu texto, a sua tentativa de manipular desejos sociais, não prosperarão. Por um motivo rascunhado no início deste texto: teorias e gente como você estão fadados à passagem de um cometa pela História escrita ou celebrada como verdade. Em outras palavras, você é um subproduto da farsa que hoje se tenta impor. Que tenta surfar na “mudança identitária” dos símbolos do clube promovida pela atual gestão para emplacar sua tese também desconstrutivista.

Como se garantiu que não haveria alongamento para quem quer palco, especialmente quem não é Vasco e recebeu do clube para discutir sua História, se fica, em breve, por aqui.

Não sem antes esfregar na fronte dos que levaram mais de 100 anos para promover lacrações de conveniência, empatia de cartório, lambeções coreográficas, abraço às comunidades e ao politicamente correto por prestígio pessoal ou provenientes de interesses escusos, seja para sair bem na foto ou para tentar fomentar uma narrativa tão definitiva, quanto precária. Nós, o Vasco, fizemos a única HISTÓRIA que pode ser contada a respeito de negros e pobres no futebol. Durmam com esse barulho para sempre.

O Vasco, ele, e só ele, no mundo esportivo, é capaz de sapatear sobre o preconceito bem antes de isso virar lambice pessoal, revisionismo academicista, ou ato de falso amor ao próximo. Insiste-se, caro acadêmico, durma com um barulho desses. Durmam vocês todos com este estrondo, caros lacradores de bandeirinha de escanteio harmonizados com a destruição até do que lhes abriu portas. 

Grupo Fuzarca!

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