O Projeto desconstrutivista está sobre a mesa

Hoje, 7 de setembro de 2021, é o dia seguinte de mais uma derrota do Vasco na série B. Porém, não é só isso. É o dia seguinte de nova demonstração de um time, uma diretoria, uma filosofia, um clube sem alma.

Mas, afinal, o que destrói a alma do Vasco? A análise superficial pode mencionar um jogador, ou vários. Pode culpar um treinador ou outro. Pode até deixar o gramado e citar dirigentes, remunerados ou não. Ainda assim, ela não deixa de ser superficial. 

Para aqueles que desejam se aprofundar a respeito do que fundou o desastre institucional, é preciso um pouco mais. É preciso revisitar os últimos meses e entender que, após 10 dos últimos 13 anos, finalmente os que hoje ocupam o poder se sentem à vontade para promover um projeto revisionista. Desconstruir aquilo para o que eles sempre torceram os narizinhos empinados já é realidade. Eles não gostam da História do Vasco. 

O que os senhores acham que há por trás de uma mudança de sede administrativa da Zona Norte para o Centro?

O que há por trás da “mudança identitária” que “corrige” escudo e bandeira?

Qual o sentido de que, neste mesmo momento, surja um texto tido como acadêmico, escrito por um sujeito que foi parceiro de muitos dos atuais gestores em 2014 como diretor remunerado do clube, no qual se minimiza as revoluções inclusivas feitas pelo Vasco na década de 20 do século passado?

Seria apenas coincidência que, na mesma semana, um apresentador da Globo, a maior ferramenta de destruição deste país, se arvorasse em dizer, em rede nacional, que o Vasco tem laços com homofobia, uma vez que em 1979, o seu presidente (???), Eurico Miranda, vetou a formação de uma torcida gay, fake News descarada, mas meticulosamente plantada?

Ora, diante da decadência lamentável que estamos vivendo, o triste rolar pela ribanceira, não há mais espaço para ingenuidade. O que ocorre hoje no clube é a desconstrução deliberada. Um projeto de remanejamento da alma vascaína. Uma volúpia pelo “reposicionamento”. A doutrinação às avessas dos imbecis promovida pelos que gostariam muito de ser outra coisa, bem distante de um clube popular e suburbano.

Assim, informo que aquilo visto em campo nada mais é do que o reflexo sombrio de uma instituição que está sob ataque nas entranhas. Sob ataque daqueles nomeados em um tribunal para comandá-la. Sob ataque da desfaçatez. Sob ataque  dos cínicos. Sob intervenção dos hipócritas.

Ao apunhalar a alma do Vasco, os revisioonistas do identitsrismo de prateleira estão cumprindo um plano macabro: manipular a essência da instituição para que ela passe a lhes servir. Adequam o Vasco a eles porque jamais se adequaram ao que é o Vasco, clube com o qual possuem relação apenas superficial. 

Diante dessas evidências medonhas sob escombros, termino com dois recados. Um, para a torcida e o quadro social: o clube que vocês conheceram está se esfarelando entre os dedos. Ou se faz alguma coisa agora, ou em uma década seremos o ex-Vasco. 

O outro recado é para quem porventura vier a dirigi-lo, seja no estanque à atual sangria ou na pós-devastação: qualquer fórmula financeira, estratégica, “reposicionante” só funcionará de um jeito: manutenção firme do que sempre fomos, respeito pela alma do clube e vigor ao representar a Instituição. O resto é panfleto. 

Ou o Vasco confirma a sua Independência agora, ou está fadado a ser, para o resto da História, uma marionete do sistema, uma borda do mecanismo, um descarte do establishment.


João Carlos Nóbrega

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