A Fuga das Galinhas

Surgiu ontem uma notinha de repúdio dos amarelos do Sempre Vasco ao momento atual do clube. Como imagem é (quase) tudo, ela foi retirada do ar diante de algumas coincidências mórbidas que machucaram a marquetagem patrulheira de plantão. Mas, em seguida, com as correções para agradar, voltou.

O texto é falsamente enérgico. Trata-se de uma construção forçada, que tenta se equilibrar sobre uma farsa baseada na premissa do “comigo não está”, “não sei quem fui”, a “culpa é dos outros”. É a desfaçatez em palavras, a mentira típica, a coreografia barata, a encenação vagabunda e fundamentalmente uma homenagem à covardia.

A memória do vascaíno não precisa ser privilegiada para lembrar do papel exercido pelo grupo amarelo do senhor Julio Brant: conluio em ações e recursos ao Judiciário, parceria sorrateira, quadros administrativos fornecidos e uma similaridade significativa: assim como o Flamengo surgiu de uma dissidência do Fluminense, o Mais Vasco foi parido pelo Sempre Vasco. Uma costeleta da sabotagem, um herdeiro do fracasso de mais de uma década.

Mas, afinal, o que se poderia esperar de quem vive de culpar os outros além de uma notinha oportunista 24 horas depois da quase sacramentada 5ª queda do Vasco?

O que se pode esperar de quem destrói a identificação de um ídolo com sua torcida e anos depois tenta remediar com uma estátua?

O que se pode esperar de quem toma posse com dedos em riste e, ao perceber que a fotinho mostrou a verdadeira face dos litúrgicos, corre para as redes sociais a fim de justificar (vejam os senhores que patifaria) que a foto emblemática, na verdade, se trata de uma “brincadeira” com a esposa de um deles, que se não gosta de suruba e é uma senhora de respeito, deve ter repudiado mindinhos e linguinhas oferecidas a ela?

Os exemplos são muitos, mas a verdade que assola o Vasco é aquela que parece atingir toda uma geração. Dentre esses, e provavelmente seus filhos, netos, bisnetos, nada se assume. A prática de apontar dedos indicadores dá a essa gente a liberdade de erguer os dedos médios achando que na arquibancada não há ninguém vendo o que rola no picadeiro. O problema deles é que todo covarde faz alarde. Todo frouxo deixa rastro. Toda galinha corre e quando corre, esvoaça.

Nós sabemos quem vocês são, não adianta correr. Nós sabemos o que vocês fizeram no verão passado, não adianta fugir. Nós sabemos dos truques pseudo-jurídicos de vocês, não adianta fingir. Nós sabemos das artimanhas no escurinho da secretaria, não adianta encobrir. E por sabermos disso e muito mais, os senhores não terão sossego um dia sequer. Destruir o Vasco teve um preço: mais dia, menos dia, vocês pagarão por isso.

João Carlos Nóbrega

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