Vem pra SAF você também


Mesmo os piores projetos precisam passar por etapas para serem cumpridos. Não está sendo diferente com o projeto que pretende vender o Vasco sob a mesma estratégia utilizada com os troféus do clube, que os dirigentes empilharam numa kombi para mudança. Embrulha, amontoa, empurra pro caixote, de repente ninguém filma ou percebe e acaba colando. Moamba. Contrabando.

A ideia pareceu meticulosamente desenhada: desídia com o time que caiu em 20, desleixo com a formação do elenco de 21, abandono generalizado do patrimônio e uma energia negativa que paira no entorno do presidente do clube e seus pares que parece uma micareta de encostos.

SAF é a sigla bonitinha do clube-empresa, a malandragem da vez. Virá sob as mesmas promessas  – profissionalismo, competência, credibilidade e transparência, o mantra recitado e jamais colocado em prática pelas figuras que o repetem.

Resultará no de quase sempre, com uma diferença: quando mal administradas, os portões são fechados em pouco tempo. E tempo é o que não nos faltou para observar as credenciais deprimentes oferecidas pelos atuais gestores. 

Serão eles os tais dirigentes da SAF? Péssimo sinal, tremendo risco, na medida em que SAFs são passíveis de falência e essa gente que anda pelo Vasco é tudo, menos capaz. 

O engano deles, porém, foi acreditar que não havia ninguém percebendo o movimento paquidérmico na seção de cristais, essa coreografia patética, essas alegorias de exibicionismo cafona abanadas para os torcedores desenganados justamente em momento de carência e desespero com a campanha de várzea realizada pelo time atual. 

Com um conselho nomeado na caneta do auto-denominado poder revisor do país, diretorias nomeadas na caneta, demais poderes nomeados na caneta, má intenção e burrice suficientes disseminadas dentre estas figuras, a artimanha de ludibriar o respeitável público é bem capaz de funcionar na largada.

Porém, não será tão simples. A manobra expõe de vez antigos desejos agora empurrados por uma ansiedade suspeita. A prática de gestão temerária com o objetivo de facilitar a tramoia é evidente e banha a aspiração com tintas obscuras. 

Modelos de gestão dependem de homens. Homens precisam ter caráter. O Vasco atual não possui homens, muito menos homens de caráter. Virar a chave do modelo com tipos deste nível nos postos é cavar ainda mais fundo a sepultura da Instituição. 

Assim, chegou a hora em que a comunidade vascaína deve se pronunciar definitivamente. As opções estão postas: segue o caminho da farsa ou atua para extirpar os farsantes de onde estão. Não existe retórica ou contorcionismo paralelo: é topar o acinte ou se opor ferozmente a ele.

João Carlos Nóbrega

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